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17/11/2017 Filas no consulado em Lisboa indicam aumento de brasileiros em Portugal

Representação brasileira reabre agendamento exclusivo pela internet após longas filas em busca de 750 senhas diárias de atendimento

LISBOA — Uma fila gigante do lado de fora do edifício é a parte visível de um extenso problema que o consulado do Brasil em Lisboa enfrenta desde a segunda semana de janeiro e que começa a ser resolvido nesta sexta-feira. Em uma indicação do aumento da chegada de brasileiros a Portugal, embora ainda não haja números oficiais para este ano, as demandas ao consulado se multiplicaram. Depois de os brasileiros passarem noites na calçada, no frio e na chuva, em busca de uma das 750 senhas de atendimento distribuídas diariamente, o Itamaraty reabriu nesta sexta-feira o agendamento exclusivo pela internet.

Somente as solicitações de registro de antecedentes criminais, documento crucial para a autorização de residência de brasileiros em Portugal, mais que dobraram: subiram de 13 mil para 31 mil no último ano. Nos bastidores, os funcionários do consulado admitem que não esperavam a multiplicação da demanda dos pedidos no início de 2019 e estiveram às voltas com problemas de comunicação e informática. Em 2017, último ano para o qual há números fechados, a colônia brasileira, a maior do país, ultrapassou 85 mil pessoas.

A distribuição de senhas por ordem de chegada começou em maio de 2018, mas, ultimamente, mais de mil brasileiros procuram por dia o órgão, que trabalha acima da sua capacidade de atendimento, apesar de ter contratado funcionários. Há um ano, cerca de 300 pessoas iam ao consulado diariamente: menos da metade do público atual.

Na manhã de quinta-feira, no entanto, ainda havia fila grande. O consulado diz que é um período de transição até o restabelecimento do agendamento virtual. Nem o atendimento prioritário acelerou o processo. O publicitário Max Leal e a sua mulher tentavam registrar a filha, Alice, de apenas 1 mês e meio. Segundo ele, havia filas por todos os lados, dentro e fora do prédio, nos corredores, escadas e diferentes andares.

— Como estávamos com um bebê, fomos atendidos prioritariamente. Mesmo assim, chegamos às 8h e saímos por volta do meio-dia. Foram quase cinco horas para fazer um registro de nascimento. Da vez anterior, foi toda a manhã da mesma forma. O time dos servidores lá é dedicado e paciente na medida do possível. Mas falta infraestrutura. A demanda é imensa e não cabe no prédio. Sempre há fila de brasileiro do lado de fora. Uma calçada inteira para passar vergonha — disse Max.

Ao chegar à fila às 5h30m do dia 9 de janeiro, o advogado Célio Sauer encontrou cerca de 200 pessoas. A maioria havia passado a noite em busca de uma senha distribuída às 7h, uma hora antes do início da jornada de trabalho do consulado, que antecipou das 9h para 8h o horário de abertura. Quando percebeu que muitos não seriam atendidos, Sauer resolveu criar ali mesmo, pelo celular, uma petição pública na internet. Pede a intervenção e a reorganização da administração do consulado do Brasil em Lisboa e, até 24 de janeiro, tinha mais de 3 mil assinaturas.

A petição ajudou a adiantar a retomada do agendamento na internet. No entanto, há relatos que os e-mails de confirmação não têm sido entregues.

— Naquele momento, percebi que a situação era grave. Pessoas com cobertores, no inverno, muito frio na madrugada. Mais e mais pessoas chegando. Criei a petição e ela se propagou, as pessoas levantaram a bandeira. Fizemos uma reclamação formal ao Itamaraty e, a partir disso, o consulado disse que resolveria o problema – disse Sauer, que foi ao órgão verificar questões sobre a carteira de motorista portuguesa.

Apesar de o consulado ter contratado funcionários, há relatos de uma espera de até 14 horas na fila para, muitas vezes, nem sequer conseguir a resolução do problema.

— Eu precisava justificar o voto. Já tinha ido duas vezes e nem cheguei perto de pegar a senha. Na terceira vez que eu fui, por volta das 6h, cheguei lá na frente e disseram que não iriam fazer mais a justificativa no consulado, apesar de toda a informação no site direcionar para o órgão. Senti muito frio, porque peguei chuva e estava exausta em pé na fila do lado de fora. Entrei na fila três vezes, em três dias diferentes, e fiquei nove horas ao todo — disse a aposentada carioca Katia Ferreira, de 55 anos. — O mais cruel são as crianças e idosos na fila, no frio, em pé, sem banheiro, porque só quando abre o consulado é que dá para ir.

Nas vezes em que foi à fila, Katia, uma das primeiras a assinar a petição, ouviu o burburinho em volta do comércio de venda de lugares na frente.

— Eu ouvi, não vi venderem nem me ofereceram. Mas é assim: vai lá na frente que vendem. Eu vi gente na frente, e, cinco minutos depois que o consulado abriu, já estava saindo do prédio, indo embora. Nenhum atendimento é tão rápido assim.

Fonte: https://oglobo.globo.com/mundo/filas-no-consulado-em-lisboa-indicam-aumento-de-brasileiros-em-portugal-23401285  


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